Sua reação ao ler esse título:

Calma. Antes de vocês torcerem o nariz para o post ou fazerem algum tipo de piadinha, peço apenas que leiam até o final. Não, eu não sou mórmon, não me converti, não recebi pagamento nenhum para escrever o que vou escrever e nem sou expert no assunto. O que vocês vão ler aqui é apenas meu relato sobre esse mundo, essa religião e esse modo de viver que tanto divide opiniões, mas que poucas pessoas realmente se dão ao trabalho de conhecer.
Como vocês sabem, eu ganhei uma bolsa de estudos para ensinar português numa universidade americana por um período de mais ou menos 10 meses. Quando eu recebi o e-mail com o convite para vir para o estado de Utah fiquei imensamente feliz, mas confesso que não sabia NADA sobre esse estado e foi aí que meu pai me deu a primeira explicação (?) sobre o que eu estava pra encarar. Ele disse “Tu sabes que esse estado é de mórmon, né?”, eu “O que é mórmon?”, ele “Não sei. Só sei que eles são daquela igreja de JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS”. E a conversa acabou aí.
Depois me falaram que mórmons eram aqueles “gringos que viviam com uma Bíblia debaixo do braço e andavam com gravata em pleno sol quente de Belém”. Eu realmente via esses rapazes sofrendo com o calor de Belém, mas eu não sabia o que eles faziam. Eu via as igrejas deles, mas elas viviam fechadas e o que todo mundo dizia era que você só podia entrar se fosse membro ou convidado por um membro. Era como se fosse uma seita, sociedade secreta ou coisa do tipo. Disseram até que era parecida com a Maçonaria (o que eu duvido que seja, mas também não vou nem falar nada por que não conheço Maçonaria.).

Missionários Mórmons (já viram por aí?) foto tirada daqui
E foi assim, cheia de pré-conceitos, que eu vim parar em Utah, a terra dos mórmons. E aqui as especulações só fizeram aumentar: me falaram que eles podiam ter mais de uma esposa, que eles não bebiam café, não fumavam, não bebiam bebida alcóolica, que eles não transavam, que eles tentavam te converter a qualquer custo, que eles só esperavam uma oportunidade pra pedir dinheiro, que eles se achavam os melhores e os mais santos e por aí vai. Então eu pensava: “Caramba, esse povo deve ser muito insuportável mesmo! Ainda não vi ninguém falar bem dessa religião!”. O engraçado era isso: todo mundo que falava mal não era mórmon, e mais, eram não-mórmons que não se davam ao trabalho de conhecer aquilo de que falavam tão mal.
Até então eu nunca tinha tido contato com ninguém da Igreja, daí esse ano eu fiquei muito amiga de uma das minhas alunas, a Annie, ela esteve numa missão no Brasil (Sampa) e nós começamos a conversar sobre isso e ela disse que se eu quisesse ela poderia tirar todas as minhas dúvidas e inclusive poderia me levar à igreja quando e se eu quisesse só pra eu ver como era e tal. Eu sou curiosa, gente. Muito curiosa. Aí num belo domingo eu fui à igreja com ela e a família linda dela. O evento como um todo (eu insisto em querer chamar de missa hahaha força do hábito), dura 3h. Primeiro tem a parte das palestras, normalmente, é o bispo deles que dá uns avisos, recebe todo mundo e aí ele dá a palavra para os convidados. O convidado desse dia foi um rapaz que tinha acabado de voltar da missão dele no México e ele foi falar de como foi a experiência, das coisas que ele tinha presenciado, do que ele aprendeu e ensinou e, à medida, que ele falava ele começava a chorar. Eu estou falando de um rapaz de seus, sei lá, 20 ou 23 anos, chorando na frente de uma igreja lotada. Ele não teve vergonha disso, ele enxugava as lágrimas que continuavam a cair e continuava falando. E quando eu dei por mim eu também estava com os olhos cheios de lágrimas (o que não é novidade por que quem me conhece sabe que eu choro até com reprise de Ghost na Sessão da Tarde), mas aquilo foi diferente, sabe? Não sei explicar. Depois dessa primeira parte as pessoas se dividiram em pequenos grupos e foram para umas salas aula, uma espécie de Escola Dominical, que foi a minha parte favorita, lá eles fazem discussões e reflexões sobre os ensinamentos da Bíblia e do Livro de Mórmon. Na última parte há uma divisão: mulheres vão para um lado e homens vão para o outro. Eles ficam em salas diferentes onde aprendem coisas de interesse mais específicos para cada grupo. E é isso o que eles fazem lá aos domingos. Todo mundo me tratou super bem, todo mundo foi super educado e solícito, me deram boas vindas e disseram que eu era super bem vinda caso quisesse voltar para visita-los.

Depois disso ainda visitei uma outra igreja mais uma vez. Foi com um amigo meu (que um dia vai ser o pai dos meus filhos), ele me mostrou tudo por lá, como que tudo funciona, me explicou no que eles acreditam e respondeu a TODAS as minhas perguntas, esclareceu tudo o que as outras pessoas tinham me dito anteriormente e é o que vou esclarecer agora:
Só pra terminar, eu queria deixar claro aqui o objetivo desse post: Não sou a pessoa mais religiosa do mundo. Nasci e cresci dentro dos valores católicos, mas minha mãe precisa me arrastar pra ir à missa por que eu não curto missas, nem cultos, nem nada do tipo por que os acho repetitivos e chatos. Sempre a mesma coisa, sempre a mesma ladainha. Mas, experimenta falar mal deles perto de mim pra ver o que acontece! Minha família é católica, meus parentes por parte de mãe são evangélicos, tenho amigos espíritas, tenho amigos ateus, tenho amigos evangélicos, tenho amigos gays, tenho amigos negros, brancos, asiáticos, africanos, tenho amigos remistas, palmeirenses, enfim… Tenho amigos de toda raça, religião, cor, orientação sexual, time de futebol e classe social e eu amo todos eles. TODOS. E eu odeio quando alguém vem e fala mal de algum deles sem nem conhecê-los, sem nem conhecer sua história, sem nem saber de suas crenças, seus valores, suas batalhas diárias. Por isso eu fiz este post, por que tenho amigos mórmons, tenho uma família linda que me acolheu tão bem aqui e tenho um homem que eu simplesmente amo (ainda que ele esteja com outra) e me dói ver quanta mentira é dita sobre eles, quanta coisa feia as pessoas atribuem a eles e essas pessoas simplesmente nem se dão ao trabalho de conhecer pra poder falar! Meu pai uma vez disse uma coisa que eu tento seguir à risca que é algo como “Você não é obrigado a gostar, mas é obrigado a respeitar”. Então antes de falar besteira, tente saber do que você está falando, por que, pelo menos perto de mim, ninguém mais fala mal de mórmon não. Vamos ser mais tolerantes, mais gentis uns com os outros. Talvez ainda haja um pouquinho de esperança nesse mundo se todo mundo começar a internalizar o significado da palavra RESPEITO.

Written by Marcela
Era pra eu ter postado antes sobre esse filme, mas com tanta coisa na cabeça, tanta coisa acontecendo e tantos memes pra cumprir acabei deixando de lado. But here we go!
Pitch Perfect ( A escolha perfeita, na tradução tosca para o português), é uma mistura de Glee com algum filme pós-adolescente que poderia muito bem ter sido feito pelo John Hughes. A história gira em torno do concurso ACapella que seleciona jovens cantores universitários para cantarem sem nenhum tipo de acompanhamento de instrumento musical. Os dois maiores grupos e grandes rivais são os Treblemakers, que mandam super bem e são os queridinhos da competição, e as Barden Bellas, jovens cantoras mais tradicionais que cantam só uma música. E é aí que entra Beca (Anna Kendrick – a Angela de “Twilight” num papel que lhe permite explorar mais seu belo talento), uma jovem que quer ser DJ em LA, mas é forçada a ir pra faculdade pelo pai. Como este percebe que a filha não curte muito a idéia de vida universitária, ele faz um acordo: ela entra para um dos grupos no campus e, se ao final de um ano ela ainda não curtir a universidade, ele a ajudará a ir para Los Angeles. Assim Beca se torna uma Bella e nesse A-ca world, ela conhece Aubrey, Chloe, Stacie, Lily, Cynthia e a sensacional Fat Amy.

Na minha opinião o que mais diferencia Pitch Perfect daquela chatisse chamada Glee, é que os cantores/atores são muito bons. Eles não tentam ser melhores cantores do que os donos das músicas, fica claro o tempo todo que o que eles cantam é um cover. E, de boa? Alguns covers deles são muitas vezes melhores do que os originais, e olha que pra eu dizer isso tem que ser muito bom MESMO. O filme também ganhou comigo por que simplesmente colocou as versões de algumas das minhas músicas favoritas! Como não amar o dueto de chuveiro da Beca e da Chloe para Titanium? E Anna Kendrick fazendo um copo plástico de percussão enquanto canta “you’re gonna miss when I’m gone“? E o que dizer do pout-porri das músicas do duelo do Riff Off? E a “Party in the USA” cantada pelas meninas no ônibus (sempre quis fazer aquilo, cara!)?? E a versão MARAVILHOSA de Price Tag/ Don’t you (forget about me)/Give me everything (Tonight)? Isso só pra citar algumas!!! Então a galera que escolheu as músicas está de parabéns, amei todas elas, inclusive as coreografias!!

Agora claaaarooooooo que pra toda garota metida a rebelde sempre tem um príncipe encantado. E o da Beca é um integrante dos Treblemakers chamado Jesse. O cara é fofo gente. Sério. Ele é o tipo que te faz rir, que te leva suquinho na universidade e separa filmes pra vocês assistirem, ele é aquele que só podia ser mega perfeito pra acreditar que “os finais são sempre a melhor parte dos filmes” e te dar uma “moviecation” começando simplesmente por The Breakfast Club <3. Aliás esse clássico da década de 80 foi muito bem costurado na história, tanto é que só me acabei de chorar no final mesmo por que TBC teve um sentido todo especial pra mim, e as alusões que Pitch Perfect faz a ele, simplesmente são fantásticas. Tem uma parte que Beca e Jesse estão no quarto dela assistindo TBC e aí ela pergunta “O que o Judd Nelson comia no café da manhã?” e ele responde algo assim “Como todo jovem dessa época ele se alimentava de hipocrisia”. Pra mim a Beca é a versão feminina do John Bender, uma garota revoltadinha com o mundo, que acha que colocar uma capa de mal e afastar todo mundo que se importa com ela vai resolver seus problemas. O Jesse entra na vida dela pra mostrar que as coisas não funcionam assim, que algumas coisas importam e algumas pessoas valem a pena e se você não sabe qual é o seu problema então é melhor descobrir por que ninguém vai fazer isso por você.

Agora o final. Por favor, me expliquem que final foi aquele????????? Uma vez fiz um post no blog que tratava justamente dos príncipes encantados do cinema e suas declarações de amor para suas amadas. O curioso é que só tinha homem na minha lista, não por que o título era sobre “príncipes”, mas por que nunca vi uma mulher fazendo declaração de amor para um homem em filme nenhum, ou pelo menos as declarações não foram tão bonitas a ponto de me fazer chorar. O fato é que Pitch Perfect trouxe isso e eu achei lindooooooooo por que não poderia ter sido com música melhor! Assim que Beca começa a cantar Don’t you forget about me ( que também é música tema de The Breakfast Club), a gente começa a entender que ela realmente chegou ao ponto de que 1) ela ama o Jesse e 2) ela não é o centro do universo. Quando ela canta repetidademente “as you walk on by, will call my name?”, a gente não vê somente uma garota cantando uma música, mas uma garota dizendo “ei, não me abandona! Não quero que você vá embora, não quero que você me esqueça por que eu te amo!” e a medida que nós compreendemos isso, o Jesse lá da platéia também entende e o que ele faz? O que ele faz?? Ele sorri e levanta o braço à la John Bender!! E quem já assistiu TBC e entende o filme sabe exatamente que esse gesto significa.

E será que os finais são mesmo a melhor parte? Bom, quando se trata de finais, eu normalmente lembro muito de dois ditados mortos de clichês: um deles diz que só podemos chamar de final se nós estivermos felizes e o outro diz que “as coisas só acabam quando terminam”. Concordo com o primeiro, mas discordo do segundo: As coisas não acabam quando terminam. Acho que a gente constrói um novo final a cada dia, a gente modifica o nosso final a cada dia, estamos sempre em busca dessa danada dessa D. Felicidade e quando a gente a encontra, o nosso trabalho é mantê-la sempre na nossa vida custe o que custar. É um ciclo que não termina nunca! Os finais podem até ser a melhor parte, desde que a gente batalhe para que eles se mantenhas sempre felizes.

Segue o trailer do filme:
É isso, gente! Beijinhoooooooosssssss!!!!!!!

Written by Marcela
Post pra ler ouvindo essa música (old but gold):
Coincidência ou não, eu estava pensando nesse lance de 15 anos dia desses. Minha sobrinha vai soprar 15 velhinhas esse ano, e semana passada em conversa com minha amiga Annie, nós falávamos dessa festa; incrivelmente descobri que aqui no USA o grande boom são os 16 e não os 15, aí lembrei de Sixteen Candles e enquanto lembrava desse filme, começou a tocar True do Spandau Ballet aqui no player. Essa música toca nesse filme do meu querido John Hughes e também tocou nos meus 15 anos.
Sim, eu tive festa. Tive um primeiro vestido prateado, troquei por um vestido verde clarinho à meia noite pra dançar valsa com meu pai, dancei com minhas amigas até não querer mais. Eu era mais magra, não tinha nada de peito, não tirava sobrancelha e nem pintava o cabelo de vermelho (eu era estranha, eu sei). Eu sempre achava que minha vida era uma droga, que eu era totally weird por que nenhum garoto gostava de mim, eu não era popular e o cara que eu gostava já tinha outra e, guess what, essa outra era bem mais bonita do que eu. O mundo parecia mais injusto por que eu não namorava o Leonardo DiCaprio, o Junior Lima ou o Kevin dos Backstreet Boys e não tinha amigas tão legais quanto as Spice Girls. No meu modo de ver as coisas eu era a ovelha negra da família. Resumindo: eu simplesmente queria desaparecer da face da Terra.

Dia desses assisti de novo Sixteen Candles e percebi que ser adolescente é a mesma coisa em qualquer época, em qualquer parte do mundo. Você não quer tirar notas ruins, mas tira. Você não quer ser uma estranha no ninho, mas é. Você não quer se apaixonar, mas se apaixona. E então percebi que mesmo com 27 anos, eu continuo sendo a mesma menina de 15, 16 anos, por que continuo tendo as mesmas indagações, os mesmos problemas amorosos e as mesmas crises existenciais. Só que em escala bem maior. Por que eu ainda me vejo no lugar da Samantha Baker (Molly Ringwald) no meio daquela festa olhando o cara que ela gosta dançando com outra. Eu me vejo ali ouvindo True e esperando loucamente que ele largue a namorada linda e perfeita dele e venha ficar comigo. Eu me vejo chegando em casa arrasada e percebendo que até o japonês (ou seria chinês?) mais estranho ever tinha se dado bem e eu parecendo ter uma doença contagiosa.

Mas ao contrário do meu eu de 15 anos, a Samantha viu o cara mais gato da escola ( e paixão da vida dela), esperá-la na porta da igreja como um verdadeiro príncipe encantado, ela percebeu que apesar das probabilidades mínimas, ele era apaixonado por ela, e mesmo tendo uma namorada linda-popular-perfeita, era com ela, a adolescente ruiva e desengonçada, que ele queria ficar. E foi pra ela que ele preparou o bolo de aniversário que ela não teve e foi ao lado dela que ele sentou em cima daquela mesa e esperou que ela apagasse as velas. E foi a ela que ele beijou no final do filme.

O meu eu de 15 anos nunca viu um final feliz desses for real. O meu eu de 15 anos nunca teve um namoradinho sério, mas o meu eu de 15 anos teve muitos amores, a maioria platônicos, e o meu eu de 15 anos sonhava com o dia que um deles também ia esperá-la na porta da igreja, ou da escola, ou do curso de inglês, ou em qualquer lugar, mas o meu eu de 15 anos foi crescendo e com ela foram crescendo outras idéias, outra forma de encarar a vida e de repente ela já não tinha mais lugar na minha vida, seus sonhos já não eram os meus, suas preocupações já não eram as minhas, nossos amigos já não eram os mesmos, nossos amores eram tão diferentes… ela queria ser militar e entrar para a Marinha Mercante, eu virei professora; ela se preocupava em tirar notas boas para passar de ano, eu me preocupo com mestrado, doutorado, manter um bom emprego; ela ia para shows de Sandy e Junior; eu vou para barzinhos com os amigos; ela chorava por amores não correspondidos, eu me declaro para o cara que amo.
E foi aí que a Marcela de 15 se encontrou com a Marcela de 27. Por que eu vi que, talvez, adolescencia não seja uma coisa passageira, quer dizer, as espinhas e o ensino médio se vão, mas as dúvidas, a insegurança, os foras, as conquistas, são para a vida inteira. Não é nada bom a gente afastar a adolescente de 15 ou a criança de 5 que um dia fomos, por que um dia elas voltam para nos cobrar o que nos tornamos. Acho que por isso ainda não “cresci” completamente. Por que ainda me permito sonhar, ainda me permito imaginar usando o vestido rosa que a Molly Ringwald usou naquele filme, ainda me permito fechar os olhos e imaginar o que ela sentiu quando viu o Jake esperando por ela, por que no fundo tudo o que uma garota ou uma mulher quer é isso, gente: o homem que ela ama esperando por ela no final.

PS1: Esse foi o tema que eu ganhei da Anna Vitória no mais novo meme da Máfia e eu presenteei a Rafinha com esse título desse post aqui. A pessoa deve escrever algo baseado num título que alguém criou para ela. Amei, Pônei! <3
PS2: Esse texto veio bem a calhar por que dia 14 agora é dia dos namorados aqui. E eu estou Forever aloníssima. Damn it!
PS3: Esse é o vídeo da parte ue toca True do Spandau Ballet.
Written by Marcela
Johnny I heart you!
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E a diretoria ri da minha cara quando me vê em vídeos